Colaboradores

sexta-feira, 3 de maio de 2019


O menino que levou choque no rio
Ângela Rita Teixeira, em O Sexto Lírio - Reflexões de uma educadora

Ele tinha os olhos mais espertos que já vi até hoje. Faiscavam como tochas de fogo, da cor de mel. Tinha morado na cidade grande um tempo. Mas tinha suas origens aqui.

Íamos participar de um concurso de desenho sobre segurança na eletricidade e eu queria muito que todos se dedicassem.

Fizemos uma aula expositiva sobre o assunto, passei alguns vídeos, fizemos uma roda de conversa e começamos as atividades.

Todos se concentravam nos desenhos, menos o menino de olhos de fogo. Ele só reclamava:

“Ah, tia, eu não vou fazer isso, não!”

E eu incentivando: “Tem que fazer. Vamos todos participar!”

Já quase no final da aula ele disse, com os olhos faiscando nas memórias que trazia:

“Tia, a senhora sabia que um dia o ribeirãozinho tava dando choque na gente? Eu mesmo tomei um choque!”

Eu quis saber detalhes e ele contou de uma cerca elétrica que passava lá perto e o rio começou a dar choque.

Eu então, disse: “Pois desenhe sobre isso! É fantástico! Foi uma experiência ruim, mas fala sobre os perigos da eletricidade.”

Ele, ressabiado, desconfiou:

“Mas isso tem haver mesmo, tia? Isso foi uma coisa que aconteceu comigo e meus colegas... Se for isso, eu sei desenhar.”

E desenhou o desenho mais incrível, com placas de avisos (que ele criou por conta própria, porque achou que era importante e faltavam naquele local). Ainda que fosse só um desenho, ele já estava se preparando para intervir positivamente na sua realidade.


Figura 5: Desenho do menino de olhos de fogo, com as placas alertando dos perigos..

domingo, 24 de março de 2019

Unidade Básica de Saúde "José Sena Neto"

















Educação do Campo


Este texto tem por anseio demonstrar a importância da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e toda a abrangência relacionada à Educação do Campo, ao PIBID e à Residência Pedagógica na comunidade Padre João Afonso.

A comunidade Padre João Afonso localiza-se no município de Itamarandiba/MG, contando com aproximadamente mil e quinhentos habitantes e inúmeras comunidades vizinhas. Vários fatores  fomentam sua posição de rural, em transição para o urbano, embora se saiba que essas denominações são um tanto quanto confusas. Aqui, parte-se das características físicas e sociais, do modo de vida das pessoas e da cultura, vigentes na comunidade no momento presente.

A maioria das pessoas de Padre João Afonso valoriza a educação como forma de ascensão e emancipação do sujeito, desde meados das décadas de 30 e 40, quando se estabeleceu aqui, a Escola Estadual Padre João Afonso, em meio a muitas lutas e demandas do povo dessa comunidade para mantê-la e ajustá-la, conforme iam crescendo as necessidades da sua gente. Não obstante, em paralelo, as escolas rurais no entorno, como a Escola Municipal Manoel Teixeira de Carvalho, e tantas outras, faziam seu precioso trabalho de contribuir para que essa emancipação se efetivasse. Algumas pessoas, segundo relatos, se destacaram bravamente para que essas lutas fossem acirradas e o direito à educação não fosse negligenciado a essa comunidade que, sendo do campo, enfrenta continuamente as intempéries inerentes à realidade de marginalização à qual o campo é submetido.

Muitas pessoas concluíram suas graduações e pós-graduações, algumas na área da Educação do Campo, como o ofertado aos professores da rede municipal, quando ainda nem se ouvia falar por aqui em Educação do Campo e isso contribuiu para que se despertasse o interesse por esse assunto que, na realidade, falava de nós e era a nós desconhecido.

É nesse cenário, mais precisamente a partir de 2009, que entra em cena a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM, com a divulgação do edital do PROCAMPO, e, embora com cerca de sete inscrições e apenas uma aprovação, a partir daí, mudanças notáveis começam a acontecer no cenário educacional da nossa comunidade, consolidando-se um movimento intenso de acesso à academia, por meio da Pedagogia da Alternância. Essa modalidade permitia que estudantes do campo frequentassem a universidade nas férias e retornassem para as atividades do Tempo Comunidade, aplicando conceitos apreendidos e desenvolvendo projetos. Essa metodologia, ainda aplicada possibilitou que muitas pessoas daqui estudassem. E ainda continuam...

Entra em cena também, e tão importante quanto, o PIBID, atuando numa perspectiva sociocultural e reforçando o orgulho e a valoração pela história da comunidade, bem como o reconhecimento dos diferentes sujeitos que contribuíram para que essa história se efetivasse. O referido projeto teve sua continuidade garantida mediante o sucesso do primeiro trabalho e assim, embora numa nova modelagem, as atividades de caráter sociocultural constituem-se visíveis e continuam a contribuir para que o sentimento de pertencimento seja fortificado nos moradores, já que as atividades quase sempre congregam escola e comunidade e buscam dar vez e voz aos sujeitos da própria comunidade.

Dessa conjectura se estabelecem seminários, rodas de conversa, encontros culturais, organizações sociais conscientes e embasadas no reconhecimento de si mesmos e o respeito ao outro, manifestações, bem como outras lutas, tendo em vista o bem comum e a dignidade humana, em equilíbrio com os demais componentes da natureza.

Recentemente, a Escola Estadual Padre João Afonso também foi contemplada com o Residência Pedagógica da Licenciatura em Educação do Campo RP/LEC, projeto que atua na formação de professores e, assim como o PIBID, proporciona aos bolsistas atividades relevantes para a sua formação.

Padre João Afonso se destaca pela gente perseverante e batalhadora que não para de lutar!!!

               

Padre João Afonso - Agricultura familiar







quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pe. João Afonso




PADRE JOÃO AFONSO
Vila Padre João Afonso está situada no município de Itamarandiba no estado de Minas Gerais. Sua fundação aconteceu em 14 junho de 1914. No início o povoado chamava-se Socorro em homenagem a nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Padroeira do lugar e consagrada no dia 27 de julho, quando aconteceu a primeira missa do povoado. Depois recebeu o nome de Vila Padre João Afonso em homenagem ao Padre João Afonso que celebrou a primeira missa no local.
A Vila Padre João Afonso está situada em terreno semiárido. O clima é temperado. A agricultura e a pecuária fazem parte da economia da Vila.
O principal rio que banha a vila é o Rio Itamarandiba do Mato.
Uma parte da Serra Negra pertence à Vila, onde funciona a torre de televisão que transmite a Globo Minas, pela TV Leste de Governador Valadares, bem como torres de internet. Ainda não "pega" celular na vila.
Padre João Afonso possui alguns povoados, dentre eles: Divino, Bom Sucesso, Cachoeira, São Domingos, São Pedro, etc.
A rua Nossa Senhora Aparecida é a principal, havendo ruas secundárias: Rua São Jorge, Santo Expedito, São Francisco de Assis, São Joaquim, São Sebastião, Conego Lafaiete, São Vicente de Paulo, São Judas Tadeu, Santa Rita, São José, dentre outros.
Possui um estabelecimento de ensino estadual, construído em 1963 que começou a funcionar em 1965 e um estabelecimento municipal, que foi inaugurado em 18 de junho de 2000. E no ano 2007 foi criado o Ensino Médio que funcionava no prédio Municipal, passando depois para a escola do Estado.
Existe um posto de saúde criado em 20 de novembro de 1973 que só ganhou prédio próprio a partir da administração de 97/2004, hoje melhor estruturado numa grande policlínica. Existe ainda um posto de correio, uma creche, Associação de Pequenos Produtores Rurais, serviço de telefonia pública e particular, fornecido pela Oi, além de bares, lojas , armazéns e padaria, que abastecem a Vila e as vizinhanças. O serviço de abastecimento de água é mantido pela COPANOR, em fase de implantação e a energia pela CEMIG.
Comemora-se anualmente a festa de São Sebastião (20 de janeiro) e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (27 de junho).
O Padre João Afonso chegou à nossa vila à cavalo, que era o meio de transporte usado na época nessa região. Os moradores da Vila gastavam até 3 dias para se deslocarem até Itamarandiba, com suas tropas ou mesmo a pé, já que não possuíam carro e nem havia estrada de carro
A primeira estrada de carro ligando a Vila à Itamarandiba foi criada manualmente sob o comando de Ernesto Weber, um rapaz vindo da suíça no ano de 1930. Chegou aqui montado em uma mula branca de nome Safira à procura de minérios. Descobriu a lavra em Serra Negra e deu emprego a muita gente. Extraiu muita mica, minério de valor na época, e tornou-se proprietário de quase toda a região. Comprou muitas terras e criações de gado. Fornecia leite e queijo para moradores do lugar. Foi o primeiro a trazer um carro (um jipe americano cor cinza) para o lugar. Conheceu uma moça de nome Nirce Rodrigues, filha adotiva de José Pinheiro e D Sinhá, naturais de Santa Maria do Suaçuí: casaram-se e tiveram 5 filhos. Em 1977 mudaram para Belo Horizonte, pois o estado de saúde de Ernesto Weber estava abalado. Lá, ele morreu no dia 22 de maio de 1982.
A energia elétrica foi instalada na vila, em 14 de novembro de 1982.